Imagem capa - Três cores que casam com Buquê Rosa!!! por Fox Revelações
Casamento

Três cores que casam com Buquê Rosa!!!

Azul, preto e branco... três cores e uma harmonia com o buquê em tons rosa ou rosê!


Na igreja de Nossa Senhora da Conceição no Morro da Garça, uma igreja linda, antiga e pequena, nas cores branco neve e azul, o vestido branco da nossa noivinha Ana Carolina e o terno preto do nosso querido noivo Luiz Augusto e um resultado agradável de se ver.... Eu simplesmente olho e gosto do que eu vejo... 


Igreja: Nossa Senhora da Conceição

Fotografia: Vânia e Dânia | Fox Revelações

Cabelo e maquiagem: Rosália Antero

Decoração e buquê: Decora Casa

Iluminação: Luis Fernando

Filme: Helton Ronan

Cerimonial: Roberta Ribas

Celebrante: Padre Frederico

Música: Aline

























Um parêntese que a mim vou relevante, lendo um pouco sobre Guimarães Rosa encontrei um "Dossiê Guimarães Rosa" escrito pela saudosa 

Marily da Cunha Bezerra, cineasta, foi presidente da Associação dos Amigos da Casa daCultura do Sertão, Morro da Garça;

Dieter Heidemann professor do Departamento de Geogra a da Faculdade de Filoso- a, Letras e Ciências Humanas da USP. @ – heideman@usp.br;

Texto recebido em 29.8.2006 e aceito 11.9.2006 que fala desta querida cidade Morro da Garça, onde fica esta Igrejinha charmosa e linda e ainda contem neste um pronunciamento do próprio Guimarães Rosa confirmando sua paixão pela geografia e em homenagem a ele, e a esta cidade que valoriza tanto a cultura e a arte deixo aqui o Pronunciamento e o link pra quem quiser ler o artigo inteiro. Lembrando o que me vem na memória o trabalho e o amor que Marily desempenhou no Morro da Garça:

https://www.revistas.usp.br/eav/article/viewFile/10172/11759





“Grande é, agora, a minha satisfação, grandea distinção que me conferis, neste mo-mento. Honra e alegria, indizíveis; porque, à faltade outros títulos, com dois dêles me reconheço,ao ser empossado no cargo de sócio titular destaagremiação: como velho admirador da Sociedadede Geogra a do Rio de Janeiro, e como velhoamoroso da Geogra a. Admirador desvalioso eamoroso ignorante, certo; mas rico de entusiasmoe de sinceridade. E é assim que vos agradeço. Aosque propuzeram o meu nome, aos que aprovaram

a proposta, aos que ora me recebem.
Devo explicar-me. De inicio, o amor da

Geogra a me veiu pelos caminhos da poesia – da

imensa emoção poética que sobe da nossa terra edas suas belezas: dos campos, das matas, dos rios, das montanhas; capões e chapadões,alturas e planuras, ipuêiras e capoeiras, caátingas e restingas, montes e horizontes; dogrande corpo, eterno, do Brasil. Tinha que procurar a Geogra a, pois. Porque, «paramais amar e servir o Brasil, mistér se faz melhor conhecê-lo»; já que, mesmo para oembevecimento do puro contemplativo, pouco a pouco se impõe a necessidade de

uma disciplina cientí ca.


Desarmado da luz reveladora dos conhecimentos geográ cos, e provido tão

só da sua capacidade receptiva para a beleza, o artista vê a natureza aprisionada nocampo punctiforme do momento presente. Falta-lhe saber da grande vida, evol-vente, do conjunto. Escapa-lhe a majestosa magia dos movimentos milenários: oalargamento progressivo dos vales, e a suavização dos relêvos; o rejuvenescimentodos rios, que se aprofundam; na quadra das cheias, o enganoso  uir dos falsos-braços, que são abandonados meândros; a rapina voraz e fatal dos rios que capturamoutros rios, de outras bacias; o minucioso registro dos ciclos de erosão, gravadonas escarpas; as estradas dos ventos, pelos vales, se esgueirando nas gargantas dasserranias; os pseudópodos da caàtinga, invadindo, pouco a pouco, os «camposgerais», onde se destrói o arenito e onde vão morrendo, silentes, os buritís; e tudoo mais, en m, que representa, numa câmera lentíssima, o estremunhar da paisagem,pelos séculos.


Ainda agora, faz menos de uma semana, acabo de regressar de uma excursão deférias, extenuante mais proveitosa, realizada apenas para matar saudades da minharegião natal e para rever velhos poemas naturais da minha terra mineira.

Quanta beleza! Ávido,  z, num dia, seis léguas a cavalo, para ir contemplar orio epônimo – o soberbo Paraopeba – amarelo, selvagem, possante. O «cerrado»,sob as boas chuvas, tinha muitos ornatos: a enfolhada capa-rosa, que proíbe o capimde medrar-lhe em tôrno; o pau bate-caixa, verde-aquarela, musical aos ventos; opao santo, coberto de  ores de leite e mel; as lobeiras, juntando grandes frutasverdes com  ôres rôxas; a bôlsa-de-pastor, brancacenta, que explica muitos casosde «assombrações» noturnas; e os barbatimãos, estendendo  eiras de azinhavradasmoedinhas. Os campos se ondulavam, extensos. Sôbre os tabuleiros, gaviões gras-

niam. A Lagoa Dourada, orgulhodo Município, era um longíquo es-pêlho. A Lagoa Branca, já hirsuta dejuncos, guarda ainda o segredo doseu barro, que, no dizer da genteda terra, produz, na pele humana,intensa e persistente comichão. Bu-ritís, hieráticos, costeiam, por qui-lômetros, o Brejão do Funil, imenso,onde voam os cócos e se congregam,às dezenas as garças. E, en m, do«Alto Grande», mirante sem prêço, avista se alongava, longíssima, léguas,

até o azulado das montanhas, por baixadas verdes, onde pedaços do rio se mostravam,brilhantes, aqui e ali, como segmentos de uma enorme cobra-do-mato.

Dois dias depois, estava eu visitando, em Cordisburgo – meu torrão inesquecível– a maravilha das maravilhas, que é a Gruta do Maquiné. E, aqui, confesso, muitacoisa se revelou a mim, pela primeira vez. Certo, eu já pensava conhecer, desde ainfância, os feéricos encantos da Gruta e as suas deslumbrantes redondezas: môrros,bacias, lagoas, sumidouros, monstruosos paredões de calcáreo, com o raizame lao-côontico das gameleiras priscas, e o róseo  orir das cactáceas agarrantes. Mas, eraque, desta vez, eu trazia comigo um instrumento precioso – bússola, guia, roteiro,óculo de ampliação: o trabalho que devemos à minuciosa operosidade, ao sentimentopoético, à capacidade cientí ca e ao talento artístico do meu saudoso amigo Afonsode Guaira Heberle: o reconhecimento topográ co «A Gruta de Maquiné e os seusArredores». Deu-se a valorização da estesia paisagística, graças às lições da ciência eda erudição. Prestígio da Geogra a!

Mas, meus senhores, estou começando mal, por um abuso, e devo sustar estalonga explicação. Do que disse, de modo tão imperfeito, podereis avaliar o quesinto, perfeitamente.

Rogo-vos apenas crer na sinceridade da minha emoção e no fervor dos meuspropósitos, ao ser recebido, como sócio titular desta douta e abnegada Sociedade,que, em labor silencioso e diuturno, há tantos anos vem servindo o Brasil.”

João Guimarães Rosa